Paciência!

pa·ci·ên·ci·a (latim patientia, -ae)

nome feminino

  1. Capacidade de tolerar contrariedades, dissabores, infelicidades ou incómodos com calma ou resignação. ≠ IMPACIÊNCIA

im·pa·ci·ên·ci·a

nome feminino

  1. Falta de paciência.
  2. Pressa, frenesi, inquietação.
  3. Rabugice.
  4. Irritação de ânimo.

“paciência” e “impaciência”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

 

A impaciência existe desde que subsiste a vida. Mas tem-se tornado no flagelo da modernidade. Numa sociedade cada vez mais veloz, onde tudo é imediato ou à distância de um click, o esperado é ter o que se quer, quando se quer. E isto estende-se às relações, não se fica pelos objetos que almejamos ter ou objetivos que queremos alcançar no mundo profissional.

Tenho recebido muitas queixas de clientes e pessoas à minha volta e coleciono frases como estas: as pessoas andam impacientes; anda tudo louco; no trânsito apitam logo; ao telefone não há respeito; isto está cada vez pior; as pessoas estão cada vez mais centradas nelas próprias… O que se anda a passar?

Parece haver aqui uma tendência generalizada. Não gosto de tendências generalizadas porque sei que há outras histórias positivas que circulam, mas não ficam tão presentes. Ainda assim, parece haver um cansaço geral, uma impaciência coletiva.

A impaciência é a dificuldade em aceitar algo que é desconfortável ou que incomoda. Os seus sinais passam pela irritabilidade (sentimentos de raiva), inquietação (interna e externa, por exemplo: balançar o pé, suspirar…), tensão muscular (por vezes refletida em hipertonia) e pensamentos repetitivos.

Então e a paciência?

Vejamos então o que é a paciência, do ponto de vista da psicologia. Esta é na verdade uma capacidade que envolve o nosso lado cognitivo e emocional. A paciência engloba a tolerância, a perseverança e o autocontrolo perante situações que nos possam ser desafiadoras ou difíceis. Mas também perante algo que nos faça esperar. Ter paciência ou trabalhar na nossa paciência, é importante para lidar com frustrações, para nos relacionarmos com os outros e também para atingirmos os nossos objetivos.

Quando somos pequenos temos uma incapacidade natural de lidar com a frustração, com o “não”, e é algo que vamos aprendendo ao longo do nosso desenvolvimento. Então, o crescimento, mas também as experiências e a nossa personalidade, podem ditar o nosso nível de paciência na vida adulta. E esta é de facto uma capacidade muito importante na vida em relação e em sociedade e que deve ser regada, uma vez que contribui para o bem estar, para a harmonia e também para o sucesso pessoal, pois ela é uma habilidade presente nas pessoas resilientes e perseverantes.

A paciência é também aliada da calma. Quando estamos ou somos pacientes, emanamos uma tranquilidade que é palpável, não estamos em stress e não temos o corpo em alerta. Isto também ajuda nas tomadas de decisão ponderadas que são feitas com cuidado e de forma informada e não de forma impulsiva.

O que fazer?

Então, está visto que esta é uma capacidade que é importante desenvolver e, por isso, como o podemos fazer? Trabalhar a paciência é como um treino, temos de praticar, mas também temos de nos conhecer muito bem. É fundamental saber quais são os nossos gatilhos e em que situações somos mais ou menos impulsivos. Sendo um treino requer consciência, para nos recordarmos diariamente, mas também requer um esforço ativo para fazer diferente.

Os exercícios de respiração profunda e tranquila ajudam a treinar a paciência uma vez que trabalham na desativação do estado de alerta. Fazer as tarefas e falar mais lentamente também ajuda nesse processo. Controlar a nossa autocrítica e perfecionismo é também uma via: se estamos a ser exigentes e perfecionistas tendemos a ser menos pacientes connosco próprios. Em relação aos outros, se formos mais empáticos e compreensivos, tendemos a ser mais pacientes.

Estas são apenas algumas indicações que podemos ir trabalhando, mas recordem-se: se são impacientes há 30 anos, não vão deixar de o ser de um dia para o outro, tudo isto requer consciência, amabilidade pelo processo e continuidade!

Vamos começar agora? Inspirem profundamente – retenham o ar um pouco – e expirem pela boca, de forma mais demorada e deitando todo o ar fora! Repitam durante uns minutos. Se ficarem com tonturas, interrompam o exercício. Boas paciências!

Foto de Aaron Burden em Unsplash