A Vida não tem Mapa

Quantas vezes pensamos que não estamos preparados para determinadas etapas ou fases da nossa Vida? Quantas vezes sentimos que andamos às apalpadelas, no escuro, em relação a vários temas? Genericamente, a resposta é: muitas. Alguns de nós estão na penumbra no campo das emoções, outros na relação com o outro, e outros mesmo na relação consigo. Somos todos diferentes, e por isso existem diferentes “desconhecimentos”.

A maturidade permite acender algumas luzes, a par da experiência e da vontade de continuar a encontrar algum interruptor. Mas o que corre menos bem é geralmente encoberto pelo manto da estratégia, algo a que nos socorremos quando estamos em sofrimento e que serve para afastar essa dor. Esse manto, ou máscara, é fundamental para fazer face aos vários desafios da vida, mas de facto, quando se torna numa segunda pele, não nos permite viver plenamente.

Assim seguimos na vida, muitas vezes sem saber o que está ao virar da próxima esquina. É como se fossemos caminhando no mundo, mas sem um mapa efetivo, um croqui que nos dê pelo menos uma ideia aproximada dos sítios que queremos visitar ou os locais onde queremos chegar. A grande dificuldade dos croquis, é que geralmente são desenhados por outros, não servem.
Os mapas, são concebidos nas alturas. E nós estamos no terreno, sem mapa, a calcorrear ruas e vielas, à procura de uma saída.

Quando somos pequeninos, vamos de mão dada com alguém. E mesmo que nos levem aos trambolhões, lá vamos indo. Quando nos largam a mão e ficamos sozinhos no mundo, sozinhos nas nossas decisões, temos de contar com a nossa bússola interna. O desafio é calibrá-la. A experiência é efetiva na utilização de uma bússola, mas é o autoconhecimento que afina esta ferramenta. Claro que a experiência desagua no autoconhecimento e vice-versa. Mas sem nos conhecermos a nós, sem conhecermos as peças que compõem esta bússola, não nos conseguimos fazer à estrada. Melhor: conseguimos, mas se a bússola não funciona, para onde estamos a ir? E se ficarmos parados no mesmo lugar no medo de nos perdemos, onde é que não estamos a chegar?

Imagem: Aaron Burden em Unsplash